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sexta-feira, 25 de junho de 2010

Negro forte


Galerinha do bem,

Sou fissurado em cultura popular. Sendo na Literatura de Cordel onde atinjo auge, o deleite, o desfrute da inteligência e da versatilidade dos poetas que percebem, de formas diversas, os fatos que ocorrem ao nosso redor.

O tema que trago desta feita, retrata a infindável luta de nossa raça negra por condições de igualdade no convívio social e põe em tela, com crueza, o abismo social brasileiro.

Boa leitura.


Negro Forte

"Eu não nasci na corte
Mas das feridas do corte
Sou negro forte
Não preciso de sorte
Pra sobreviver

A minha raça
É toda cheia de graça
Não há mau-olhado que faça
Minha cor se ofuscar
Por isso, digo sem zelo
Não faço apelo
E meus cabelos
Não preciso esticar

Eu não nasci na corte
Mas sei fazer belo porte
Sou negro forte
Não preciso de aporte
Pra sobreviver

A minha esperança
É a dose certa pra cura
Esquivo das amarguras
E passo rasteira
Na vida sem eira nem beira
Nos braços da capoeira
Sinto a paz me embalar

Meu grito é o canto
Meu disfarce, o santo
Me afaga o pranto
Que cai cativeiro
Ao som do pandeiro
Sou mais um guerreiro
Me enfeito em floreios
Pra te conquistar

E sigo caminho
Dou sempre um jeitinho
Vou sem colarinho
Pra me apertar
E nessa quizomba
Danço o miudinho
Pois do seu ladinho
Vou me encontrar

Eu não nasci na corte
Mas das sombras da morte
O passado é meu norte
Sou negro forte
Não há dor que eu não suporte
Pra sobreviver".


Isabel de Assis Fonseca, poetisa Cearense
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